Soluçarei baixinho, muito baixinho.
Não ouvirás sequer meu lamento de dor, de solidão.
Terei as mãos frias, mas será da neblina que cai lá fora.
_Mas não me olhes comovida!
_Não tenhas pena de mim!
Dirás adeus e irás depressa, depressa, sem te voltares mais.
Eu ficarei olhando pra frente, para o teu vulto alto, depois para a estrada longa, deserta.
E ficarei olhando sempre... Sempre...
Virá a primavera, depois. E as árvores esverdearão o parque inteiro, fantasiando-o e enchendo-o de luz.
Chegará o verão. E o fenômeno da vida gritará vibrante, e a energia calorífica subirá, na ardência de construir e aniquilar.
E quando vier o outono, olharei as árvores, cansadas, despindo-se lentamente, e o vento, mau, zunindo no ar pesado e escuro.
Depois, voltará o inverno, outra vez.
O inverno, que te levou de mim. E olharei ainda a estrada deserta, branca, longínqua.
Virás por ela. Será numa tarde fria, mas haverá luz e o céu estará azul, parado. Tranqüilo.
E chegarás, de mansinho, pensando surpreender-me. Mas sorriras, desapontada. Estarei esperando por ti.
Terei as mãos frias, frias, mas será da neblina que cai lá fora.
E soluçarei outra vez, baixinho, baixinho, apertando-te nos meus braços, aconchegando-te ternamente ao meu coração cansado de te esperar!
Raquel Passarelli
Maio/2009
Para Dani
sexta-feira, 10 de julho de 2009
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