segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cores


Todas as cores estão fora de mim. E tudo que eu tenho esta sem vida.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

E o minha amada o que diria se eu partisse? O que diria se esses versos não ouvisse? O que teria em suas mãos se não um corpo dessangrado, cheio de carne, de suspiros, de delírio apaixonado?
Faltaria, porém, o recheio das ideias, a loucura e a razão, que transformam um encontro sem graça em tremenda PAIXÃO.
Mas não tema minha querida, que esse amor desapareça, pois é amada ao mesmo tempo por um corpo e uma cabeça. O corpo ela pode beijar, cheirar, fazer do corpo mulher. Mas a cabeça a possui, manipula e faz dela o que quer.
Haja o que houver, do meu amor essa garota foi rainha. Digam a ela que com corpo e cabeça eu sempre a amarei. A marca dessa lágrima testemunha que eu a amei perdidamente. Em suas mãos depositei minha vida e me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas cada verso que lhe dei, como se fossem confetes de um carnaval que não brinquei. Mas a cabeça apaixonada delirou, foi farsante, vigarista, mascarada, foi amante entregando-lhe a outra amada, foi covarde que amando nunca amou.

Marca de uma Lágrima, A. - Pedro Bandeira.


tomo emprestadas as palavras de Pedro bandeira para comunicar mais uma mudança... o amor que não se faz sabido, não existe... já que não posso revelá-lo, decidi que por mim, também não vou mais senti-lo. De corpo e cabeça, acabou.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O dia amanhece chuvoso. Da minha janela salpicada de gotas eu vejo carros vazios. Nem claro, nem escuro, o sol se faz presente aos poucos mas ainda, as luzes da rua estão acesas.
O sinos da igreja convocam os fiéis. A missa vai começar. Tocam melodias sem dono, e me dão uma certa nostalgia de tempos não passados, de dores não sentidas, de amores não vividos.
Meu dia amanhece cinzento, como cinza percebo meu rosto no espelho. Saio, e tudo que vejo é cinza. As pessoas não tem rostos, nada tem identidade. Viro uma esquina e já estou na sua rua, no parapeito, pousa a rosa amarela que lhe dei e julgava esquecia. A rosa amarela, o único ponto de cor dessas linhas, o único ponto colorido visto e sentido... o único amor vivido e sofrido... passado. Agora chego ao fim da linha com um ponto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Diga sim pra mim...

texto meu... classificado de diversas formas entre "maravilhoso" e "cheio de clichês"... concordo com os dois.... e com os que estão no meio desses também... recebi elogios... e apenas me dei críticas.

"Vontade de me deitar com você, num abraço tão envolvente quanto se é possível. Ouvir o tique-taque do relógio abafado pelo doce som da sua respiração, sentir seu coração batendo ritmado e em perfeita harmonia com o meu, e perceber aos poucos nossos corpos se tornando um.

Sonho com o dia em que poderei abertamente te dizer que eu a amo, e ver no teu rosto o mesmo sorriso sincero e brilhante que vejo quando a que lhe tem o declara.

Sentimento ingrato esse que tenho, e nutro. Amor que aos poucos me toma, e me condena.

Pulei... E caio em queda livre, esperando que o impacto do meu corpo com o duro chão da realidade não me mate... E que eu tenha uma nova chance de amar.

Pulei... E caio esperando que em certo ponto venha a rede de segurança me mostrar que eu tenho onde me apoiar... Até que eu tenha uma nova chance de amar.

Pulei... E caio rezando para que em meio a queda você surja como um anjo, dando-me o tão aguardado par de asas... Para que eu tenha uma chance de amar para sempre."

resolvi continuar com o blog só porque o Deh prometeu ler e comentar em todos os posts.... quero só ver hein senhor Djoker!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"O céu começava a clarear...

... além das árvores desfolhadas e abaixo de uma comprida e enodoada nuvem cor de carvão, o sol anunciava-se acima do mar, vermelho-sangue e perfeitamente redondo, a metade inferior da nuvem já tingida de rosa-forte. As estrelas desbotavam. Havia um cheiro de musgo e terra molhada no ar, tudo estava limpoe recém-lavado, cristalino e puro. Ele desceu o ondulado dos gramados e ganhou a trilha que mergulhava por baixo e através do matagal. Ouviu o ruído do regato, o fluir e chapinhar da água. Seguindo o som, cruzou a ponte de madeira e mergulhou a cabeça no túnel de guneras. Quando alcançou a pedreira, já havia claridade suficiente para enxergar os degraus escavados em seu lado e para cruzar o solo rochoso entre os maciços de samambaias e tojos. Pulou o potão, seguiu pela estrada, depois o muro de pedras e a passagem nele existente - ele estava no topo do penhasco.
Ali fez uma pausa, pois por causa disso é que viera. A maré estava baixa, e a praia de enseada, um cinzento semi-círculo de areia, estava orlada de algas e detritos deixados pelas águas. O sol surgira de todo agora, e as primeiras sombras alongadas espichavam-se pelo topo turfoso do penhasco. Então recordou o dia, aquela tarde de agosto, no verão antes da guerra, quando vira a irmã de Edward pela primeira vez, e ela o fizera descer até a enseada. Os dois tinham se sentado, abrigados do vento, e a sensação era de estar com uma pessoa a quem cochecera a vida inteira. Chegada a hora de irem embora dali, ela havia ficado de pé e tinha se virado para comtemplar o mar, momento em que ele a identificara como sua jovem no penhasco, a gravura de Laura Knight, que era um dos seus mais preciosos bens."



Trecho tirado do livro O REGRESSO de Rosamunde Pilcher - página 1068 - 9ª edição - Tradução de Luisa Ibañes