sexta-feira, 10 de julho de 2009

Esperarei por ti

Soluçarei baixinho, muito baixinho.
Não ouvirás sequer meu lamento de dor, de solidão.
Terei as mãos frias, mas será da neblina que cai lá fora.
_Mas não me olhes comovida!
_Não tenhas pena de mim!
Dirás adeus e irás depressa, depressa, sem te voltares mais.
Eu ficarei olhando pra frente, para o teu vulto alto, depois para a estrada longa, deserta.
E ficarei olhando sempre... Sempre...
Virá a primavera, depois. E as árvores esverdearão o parque inteiro, fantasiando-o e enchendo-o de luz.
Chegará o verão. E o fenômeno da vida gritará vibrante, e a energia calorífica subirá, na ardência de construir e aniquilar.
E quando vier o outono, olharei as árvores, cansadas, despindo-se lentamente, e o vento, mau, zunindo no ar pesado e escuro.
Depois, voltará o inverno, outra vez.
O inverno, que te levou de mim. E olharei ainda a estrada deserta, branca, longínqua.
Virás por ela. Será numa tarde fria, mas haverá luz e o céu estará azul, parado. Tranqüilo.
E chegarás, de mansinho, pensando surpreender-me. Mas sorriras, desapontada. Estarei esperando por ti.
Terei as mãos frias, frias, mas será da neblina que cai lá fora.
E soluçarei outra vez, baixinho, baixinho, apertando-te nos meus braços, aconchegando-te ternamente ao meu coração cansado de te esperar!

Raquel Passarelli
Maio/2009
Para Dani

Um comentário:

  1. Eu li,e reli e li outra vez...
    Tenho lido desde ontem e não consigo expressar nada além de LINDO! pra esse texto...
    Saudade de ti hein???
    Beijão!

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