sábado, 17 de janeiro de 2009

O dia amanhece chuvoso. Da minha janela salpicada de gotas eu vejo carros vazios. Nem claro, nem escuro, o sol se faz presente aos poucos mas ainda, as luzes da rua estão acesas.
O sinos da igreja convocam os fiéis. A missa vai começar. Tocam melodias sem dono, e me dão uma certa nostalgia de tempos não passados, de dores não sentidas, de amores não vividos.
Meu dia amanhece cinzento, como cinza percebo meu rosto no espelho. Saio, e tudo que vejo é cinza. As pessoas não tem rostos, nada tem identidade. Viro uma esquina e já estou na sua rua, no parapeito, pousa a rosa amarela que lhe dei e julgava esquecia. A rosa amarela, o único ponto de cor dessas linhas, o único ponto colorido visto e sentido... o único amor vivido e sofrido... passado. Agora chego ao fim da linha com um ponto.

3 comentários:

  1. Ficou mara,
    invejo a sua narrativa, seu dom, e suas experiencias.

    " e que de cada ponto final, se faça um novo começo."

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  2. Que o ponto no fim da linha seja sempre amarelo.

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  3. Se a vida tá em escala de cinza, meu bem, então pontos finais não existem, e tudo permanecerá virgula,

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